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EXEMPLOS DE CONGLOMERADOS
EXEMPLOS DE CONGLOMERADOS
FORMADOS por blocos que, em termos meramente sistemáticos e académicos, correspondem aos clastos de diâmetro mediano superior a 256mm, merecem destaque alguns depósitos conglomeráticos muito grosseiros. Os blocos mais arredondados ou boleados são próprios de ambientes litorais e fluviais de alta energia. Blocs, em francês, e boulders, em inglês, estes megaclastos correspondem aos “matacões” dos nossos colegas do Brasil. Outros depósitos ricos em blocos são as moreias glaciárias e as rañas.
Para alguns autores, moreia é a totalidade do depósito, incluindo a matriz fina e, por vezes, abundante, de aspecto argiloso (“argila dos tilitos”), mas que, no geral, é essencialmente pó de rocha resultante do referido deslizamento e consequente trituração e moagem. Nesta concepção, as moreias correspondem aos till dos autores ingleses, de onde deriva tilito (tillite, na designação internacional), termo introduzido, em 1906, pelo geógrafo alemão Albrecht Penk (1858 – 1945), e que tem sido preferencialmente adoptado para designar as moreias antigas, bem consolidadas, como são as do Paleozóico e do Pré-câmbrico, testemunhos de antigas glaciações no hemisfério austral. Na lógica da nomenclatura petrográfica, foi dado o nome de morenito à moreia consolidada. Todavia, este termo, proposto como sinónimo de tilito, não colheu aceitação entre os geólogos e geógrafos, tendo caído em desuso. Para outros autores, moreia é o amontoado caótico de blocos, depois de perder, por erosão, os terrígenos mais finos. Especialmente nos glaciares de montanha, no limite que lhes é imposto pela diminuição de altitude, o recuo das línguas de gelo verificado nos meses de Primavera e Verão, deixa parte das moreias a descoberto. Nestas situações, os elementos menos grosseiros acabam por ser retomados pelos caudais próprios do degelo, indo alimentar depósitos de tipo aluvial, apelidados de flúvio-glaciários e, eventualmente, sedimentar em lagos, constituindo depósitos adjectivados de glácio-lacustres.
Mais viscosa do que a água, mas menos do que o gelo, a lama, ou seja, material essencialmente silto-argiloso embebido em água, tem grande competência ou, por outras palavras, grande capacidade de transporte. Nas regiões subáridas e áridas, a ocorrência de escoadas lamacentas, muito viscosas, dá origem a depósitos muito heterométricos, que alguns autores designam por tilóides (2), onde coexistem elementos terrígenos de granularidade variável, entre a dos blocos e as das partículas de dimensão argilosa (3).
Descritas em Espanha pelo geógrafo E. Hernandez Pacheco (1912), as principais rañas existentes em território nacional foram inicialmente estudadas, nos anos 40 e 50 do século passado, pelos geógrafos Orlando Ribeiro e Pierre Birot, na Beira Baixa e na região de Lousã-Arganil, e Mariano Feio, no Baixo Alentejo.
Entre nós distinguem-se duas fácies deste tipo de depósitos. Uma delas, a que O. Ribeiro chamou raña de sopé, caracterizada pela natureza essencialmente quartzítica dos megaclastos subarredondados, que podem ultrapassar um metro cúbico, com origem nas cristas de quartzito do Ordovícico existentes a norte e a sul da Cordilheira Central. Pertencem a este tipo os Conglomerados de Telhada e de Santa Quitéria, na Bacia do Mondego, os Conglomerados da Serra de Almeirim e de Vila de Rei e os associados à Formação de Falagueira, na Beira Baixa. A outra fácies, contemporânea, a que o mesmo autor deu o nome de raña de planície, bem representada no Baixo Alentejo, na Formação de Panóias e na Unidade de Mesas (Vidigueira), caracteriza-se pela natureza essencialmente quártzica dos fenoclastos, de dimensões muito mais reduzidas (<25cm de diâmetro mediano), geralmente angulosos a subangulosos, resultantes da erosão dos relevos de xisto profusamente atravessados por filões de quartzo.
(continua)
-(1) - Com grande diversidade de calibres. Onde os clastos variam entre muito grosseiros e muito finos.
(2) - Semelhantes, no aspecto, aos tilitos (glaciários) embora com outra origem.
(3) - Nas condições climáticas destas regiões, a produção de argilas por alteração dos silicatos das rochas é muito fraca ou, praticamente, nula, o que não impede que haja partículas de dimensão argilosa, ou mesmo argilas detríticas provenientes da erosão de rochas sedimentares argilosas.
(4) - Essencialmente, silte e argilas, como ilite e caulinite.
(2) - Semelhantes, no aspecto, aos tilitos (glaciários) embora com outra origem.
(3) - Nas condições climáticas destas regiões, a produção de argilas por alteração dos silicatos das rochas é muito fraca ou, praticamente, nula, o que não impede que haja partículas de dimensão argilosa, ou mesmo argilas detríticas provenientes da erosão de rochas sedimentares argilosas.
(4) - Essencialmente, silte e argilas, como ilite e caulinite.
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