PELITOS (continuação)
NÃO OBSTANTE o artificialismo das classificações a que se fez alusão, alguns autores continuam a separar, entre os pelitos, dois tipos petrográficos: os siltitos e os argilitos.
Os siltitos são definidos como rochas sedimentares terrígenas, formadas por mais de 50% de uma fracção granulométrica correspondente ao silte (0,063 – 0,004mm), essencialmente composta por partículas de quartzo, podendo conter, subordinadamente, feldspato, mica e outras espécies minerais eventualmente presentes, a que se associa, quase sempre, uma certa percentagem de argila. Numa linguagem simplificada, mas expressiva, poderíamos dizer que o siltito só difere do arenito na dimensão das partículas detríticas, muito mais finas do que a das areias.
Versão aportuguesada do inglês silt, o termo silte, usado pela generalidade dos geólogos nacionais, testemunha a grande influência, entre nós, da literatura geológica anglo-saxónica. Os pedólogos e alguns geólogos e geógrafos usam, e bem, o termo limo (do latim limus, lama) para referir esta mesma classe dimensional. Com base neste termo, não há, contudo, entre nós o correspondente a siltito que, em coerência com as regras de nomenclatura, seria “limito”, versão nunca adoptada.
Os argilitos correspondem, na imensa maioria, às rochas sedimentares terrígenas, constituídas por mais de 50% de uma duas ou mais espécies de minerais argilosos, de diâmetro inferior a 0,004 mm, a que se associam partículas de quartzo e outras de espécies minerais pulverizadas à mesma dimensão, impregnações mais ou menos intensas de óxidos e hidróxidos de ferro e, eventualmente, hidróxidos de alumínio, carbonato de cálcio, sulfato de cálcio (gesso, anidrite), entre outras.
Os minerais argilosos constituem um grupo particular de silicatos hidratados, na grande maioria resultantes da alteração dos silicatos das rochas primárias, em particular dos feldspatos. Entre os mais comuns e face ao que se conhece sobre a génese destes minerais nos diferentes ambientes bioclimáticos (4), a caulinite, a ilite, as esmectites e a paligorskite permitem, como nenhum outro componente mineral dos sedimentos, reconstituições paleoambientais do maior interesse em geologia.
Na maior parte dos casos, tal como foi referido atrás, os argilitos resultam de uma sedimentação detrítica de minerais das argilas gerados noutros locais e posteriormente transportados até ao local de sedimentação; nestes termos, são considerados argilitos terrígenos ou que, eventualmente, podem sofrer transformações. Todavia, existem outras acumulações de minerais argilosos, cuja génese tem lugar no próprio local, por síntese, a partir de substâncias químicas em solução nas águas. São os argilitos de neoformação, com muito pouca expressão geológica, mas com grande expressão nos solos actuais.
Os argilitos correspondem a acumulações de argilas que não sofreram diagénese nem compressão que lhes confira xistosidade. São rochas com certa coesão (a coesão a seco é uma característica das argilas), muito brandas (deixam-se riscar pela unha) e friáveis. Adquirem plasticidade quando humedecidos, passando facilmente a suspensões, em excesso de água. Após aquecimento acima de 900 oC, tornam-se duros e frágeis, com a criação de novas fases (cristobalite, mulite, cordierite, espinela, etc.). Estas duas propriedades, plasticidade quando humedecidas e endurecimento pelo calor, estão na base da utilização das argilas em cerâmica (do grego kéramos, barro, argila) desde a Pré-história à actualidade. A expressão argila plástica, corrente entre oleiros, refere-se às respectivas propriedades face à adição de água com vista à sua utilização como pasta cerâmica. A maior ou menor plasticidade e o grau de finura (dependentes da natureza dos minerais argilosos) desta pasta permitem distinguir argilas gordas e argilas magras. As argilas gordas são demasiado “untuosas”, colocando dificuldades à moldagem. As argilas magras são, ao contrário daquelas, muito pouco plásticas, colocando igualmente dificuldades ao trabalho do oleiro. Uma boa pasta consegue-se, muitas vezes, misturando, em proporções adequadas, estes dois tipos de argila.
(continua)
--(1) - Aleurito – Termo radicado no grego aleurós, que significa farinha,
(2) - Argila – Nome radicado no grego argilós, a partir do étimo argos, branco. Este nome passou ao latim com a grafia argilla, onde o fomos buscar.
(3) - Barro – Termo de origem pré-romana, usado como sinónimo de argila.
(4) - Ambientes bioclimáticos – Ambientes naturais caracterizados por um determinado tipo de clima e, consequentemente, por uma biodiversidade própria.
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